Hora de Estudar

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Avaliação na Escola

                ATPC - Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo.
                            De: 06 de junho - 2017
Horário: das 9h50min. às 12h20min.
Local: Bloco 1, setor A, Sala 1-  EE Maria Ivone Martins Rosa.
Público alvo: Professores do ensino fundamental anos finais.
Formador: Prof. Coord. Martins Ramos

Caros professores, nesta reta final do semestre nos deparamos com a rotina de fechamentos. Momento propício para refletir e debater sobre  as ações avaliativas desenvolvidas até agora. Sabemos que avaliação não é a rotulação ou classificação em: 1,2,3.....ou 10. E sim, verificar se as ações planejadas, os métodos utilizados foram exitosos ou não na relação ensino aprendizagem.
Para o enriquecimento do nosso encontro, apresento sugestões de leitura como subsídios.  
São dois vídeos com participações de Hoffman e Luckesi e um artigo de José Luis Monteiro. Os textos versam sobre a avaliação.

Boa Leitura.


Prof. Coordenador Martins Ramos.




Vídeo 1






Vídeo 2







Texto 3  A avaliação segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
José Luis Monteiro da Conceição
Mestre em Educação

A Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro, publicada pelo Ministério da Educação, conhecida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), expressa a política e o planejamento educacional do país. Essas diretrizes são fundamentadas em relação à Constituição Federal, cujo Art. 206 define que o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;

III – pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;

IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;

V – valorização dos profissionais do ensino, garantidos, na forma da lei, planos de carreira para o magistério público, com piso salarial profissional e ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos;

VI – gestão democrática do ensino público, na forma da lei;

VII – garantia de padrão de qualidade.
O objetivo real da LDB é, na verdade, organizar, estruturar os princípios enunciados no texto constitucional para a sua aplicação a situações reais que envolvem várias questões, entre elas: o funcionamento das redes escolares, a formação de especialistas e docentes, as condições de matrícula, aproveitamento da aprendizagem e promoção de alunos, os recursos financeiros, materiais, técnicos e humanos para o desenvolvimento do ensino, a participação do poder público e da iniciativa particular no esforço educacional, a superior administração dos sistemas de ensino, as peculiaridades que caracterizam a ação didática nas diversas regiões do país.

Considerando a multiplicidade de realidades do país, a LDB é uma lei indicativa e não resolutiva das questões do dia a dia. Portanto, trata das questões da educação de forma ampla sendo o detalhamento do funcionamento do sistema objeto de decretos, pareceres, resoluções e portarias.

Partindo desses pressupostos, a LDB não pode deixar de discutir o que diz respeito à avaliação. Em seu Art. 13, diz que os docentes incumbir-se-ão de:

I – participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

II – elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino;

III – zelar pela aprendizagem dos alunos;

IV – estabelecer estratégias de recuperação para os alunos de menor rendimento;

V – ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidos, além de participar integralmente dos períodos dedicados ao planejamento, à avaliação e ao desenvolvimento profissional;

VI – colaborar com as atividades de articulação da escola com as famílias e a comunidade.

Frente a isso, a Lei vem possibilitar novos olhares sobre os princípios de avaliar como parte do processo de ensino-aprendizagem, o que é confirmado em seu Art. 24:

A verificação do rendimento escolar observará critérios, dentre eles podemos destacar: a) avaliação contínua e cumulativa do desempenho do aluno, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos e dos resultados ao longo do período sobre os de eventuais provas finais;
Nesse primeiro critério podemos dizer que a avaliação contínua e acumulativa não tem como objetivo classificar ou selecionar. Fundamenta-se nos processos de aprendizagem, em seus aspectos cognitivos, afetivos e relacionais; fundamenta-se em aprendizagens significativas e funcionais que se aplicam em diversos contextos e se atualizam o quanto for preciso para que se continue a aprender.

Hoje observamos que essa questão que a LDB propõe é totalmente distorcida do que se vê na prática pedagógica do professor, o qual vem ultilizando a avaliação como instrumento de maneira quantitativa. Por exemplo, imagine um professor que realiza um teste valendo 8,0, uma prova no valor de 10,0 e uma atividade qualitativa de 2,0, totalizando 20 pontos. Estes serão divididos por 2, resultando em média 10. Dessa forma, o aluno não é avaliado qualitativamente e sim quantitativamente, impossibilitando-o de ter uma boa nota. Suponha que o aluno X tire no teste 4,0, na prova 5,0 e na qualitativa 1,0, somando 10 pontos; dividindo por 2, obtem-se 5,0, só que a media final para que esse aluno tenha sucesso deverá ser 6,0. Na maioria dos casos, o que se leva em consideração para a avaliação de “apto” e “não apto” são apenas resultados de testes e provas realizados em determinado momento, para medir o grau em que os conteúdos foram adquiridos pelo aluno.

A média então é realizada a partir da quantidade e não da qualidade, não garantindo o mínimo de conhecimento (Luckesi, 1995). Essa prática torna a avaliação nas mãos do professor um instrumento disciplinador de condutas sociais, utilizando-a como controle e critério para aprovação dos alunos, buscando controlar e disciplinar, retirando deles espontaneidade, criticidade e criatividade, transformando-os em “cordeiros” de um sistema autoritário e antipedagógico.

Para Luckesi (1998), a maioria das escolas com o ensino regular infelizmente utiliza a avaliação como instrumento de classificação, como produto final e não um processo de aprendizagem, medindo a capacidade e mostrando se o aluno realmente aprendeu ou não o conteúdo proposto pelo professor por meio de uma nota; de qualquer forma, impossibilita o aluno de progredir ou desenvolver-se.

Segundo Hoffmann (1996), essa é uma postura de avaliação puramente tradicional, uma vez que classifica o aluno ao final de um periodo em reprovado ou aprovado, o oposto a um significado de comprometimento do professor para o crescimento do seu aprendizado. Confirma Esteban (1996, p. 15):

A avaliação escolar, nessa perspectiva excludente, seleciona as pessoas, suas culturas e seus processos de conhecimento, desvalorizando saberes; fortalece a hierarquia que está posta contribuindo para que diversos saberes sejam apagados, percam sua exietencia e se confirmem com ausencia de conhecimento.
A prática da avaliação escolar, ao invés de servir como meio de perceber como os alunos avançam na construção de seus conhecimentos, atua como um fim de um processo. A avaliação nesse caso é usada como um mecanismo para selecionar ou classificar o aluno em “forte” ou “fraco’. O individuo que não se enquadra nas expectativas do processo educacional acaba muitas vezes interiorizando a ideia de que não é capaz de crescer, de avançar de acordo com suas proprias potencialidades.

Partindo dessa perspectiva, questiona-se se a LDB propõe uma avaliação que garante o bem-estar do aluno, por que os professores não seguem? A avaliação não é um processo? Por que ela não pode ser contínua e cumulativa na prática do professor? Será que dessa forma os professores estão avaliando todos os aspectos desse aluno?

Partindo desses questionamentos, por que isso ocorre? Devido à não participação dos professores na construção e elaboração do projeto político-pedagógico, pois a cultura escolar consiste em valores, crenças e ideologias que os membros da organização partilham e que, na maioria das vezes, não estão explícitos. Um dos princípios do projeto político-pedagógico (PPP) consiste na valorização dos seus profissionais, mas muitas vezes quando a escola se organiza para projetos de atualização ou capacitação em serviço não aproveita seu próprio potencial, as competências de sua equipe de trabalho. Normalmente, prefere buscar um profissional de fora, cuja prática desconhece, mas aplaude, em vez de aplaudir seu próprio colega de trabalho. O PPP

é práxis, ou seja, ação humana transformadora, resultado de um planejamento dialógico, resistência e alternativa ao projeto de escola e de sociedade burocrático, centralizado e descendente. Ele é movimento de ação-reflexão-ação, que enfatiza o grau de influência que as decisões tomadas na escola exercem nos demais níveis educacionais (Padilha, 2003, p. 1).
Então, para Padilha (2003), o PPP é a concretização do processo de planejamento. Consolida-se num documento que detalha os objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola, expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos e expectativas da comunidade escolar. O PPP é, portanto, o instrumento que explicita a intencionalidade da escola como instituição, indicando seu rumo e sua direção. Ao ser construído coletivamente, permite que diversos atores expressem suas concepções (de sociedade, escola, relação ensino-aprendizagem, avaliação etc.) e seus pontos de vista sobre o cotidiano escolar, observando-se tanto o que a escola já é quanto o que ela poderá ser, como base na definição de objetivos comuns das ações compartilhadas por seus atores.

Na LDB, destacam-se três grandes eixos diretamente relacionados à construção do projeto pedagógico para a melhoria da qualidade de ensino; dentre eles podemos destacar:

O eixo da Flexibilidade: vincula-se à autonomia, possibilitando à escola organizar o seu próprio trabalho pedagógico.

O eixo da Avaliação: reforça um aspecto importante a ser observado nos vários níveis do ensino (Artigo 9º, inciso VI).

O eixo da Liberdade: expressa-se no âmbito do pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas (Artigo 3º, inciso III) e da proposta de gestão democrática do ensino publico (Artigo 3º, inciso VIII), a ser definida em cada sistema de ensino.
Considerando esses três grandes eixos, a LDB reconhece na escola um importante espaço educativo e nos profissionais da educação uma competência técnica e política que os habilita à elaboração do seu projeto político-pedagógico. Nessa perspectiva, a lei amplia o papel da escola diante da sociedade, coloca-a como centro de atenção das políticas educacionais mais gerais e sugere o fortalecimento de sua autonomia.

Quando a escola tem capacidade de construir, de implementar e de avaliar o seu projeto pedagógico, ela propicia uma educação de qualidade e exerce sua autonomia. Ao exercer sua autonomia, a escola, consciente de sua missão, passa a operacionalizar um processo compartilhado de planejamento e responde por suas ações e seus resultados.

É papel do professor participar de forma efetiva nesse projeto global da escola (PPP), pois, de acordo com Luckesi (1998, p. 1),

a avaliação da aprendizagem escolar adquire seu sentido na medida em que se articula com um projeto pedagógico e com seu projeto de ensino. No caso que nos interessa, a avaliação subsidia decisões a respeito da aprendizagem dos educandos, tendo em vista garantir a qualidade do resultado que estamos construindo. Por isso, não pode ser estudada, definida e delineada sem um projeto que a articule.
O projeto político-pedagógico é o fruto da interação entre os objetivos e prioridades estabelecidas pela coletividade, que estabelece, pela reflexão, as ações necessárias à construção de uma nova realidade. É, antes de tudo, um trabalho que exige comprometimento de todos os envolvidos no processo educativo: professores, equipe técnica, alunos, seus pais e a comunidade como um todo, pois é a partir daí que surgem as propostas de como devem ser avaliados os alunos, para que possamos saber qual é a concepção de avaliação que vai ser adotada. Sabendo disso, vai ser mais fácil saber que tipo de homem se pretende formar, permite fazer uma reflexão sobre a concepção de educação, de escola, de sociedade, de cidadania, de conhecimento. Se não participar, o professor ainda irá continuar com a sua concepção: avaliar os alunos através dos aspectos.

Concordo quando Nascimento (2003) diz que aspectos não são notas, mas registros de acompanhamento das atividades discentes. A avaliação contínua e cumulativa é um recado para todos os professores de que nenhuma avaliação deve se decidida no bimestre, trimestre ou semestre; deve resultar de um acompanhamento diário, negociado, transparente, entre docente e aluno, daí seu aspecto diagnóstico. Ou seja, constatada no processo de avaliação a não retenção de conhecimentos, toma-se a medida de superar a limitação de aprendizagem. Continuando, o autor afirma que

a nota verifica, não avalia. Toda verificação é uma forma de avaliação, mas nem toda avaliação resulta da verificação. Aliás, mesmo a verificação, tão rotineira no meio escolar, é parte do processo de aprendizagem e, portanto, não deve ser confundida com o julgamento do ensino. Ninguém aprende para ser avaliado. Nós aprendemos para termos novas atitudes e valores no palco da vida. A avaliação, meio e nunca fim do processo de ensino, não deve se comprometer em ajuizar, mas reconhecer, no processo de ensino, a formação de atitudes e valores (2003, p. 2).
Essa concepção deixa bem claro que a nota não é um processo avaliativo, e sim verificativo. O professor que segue dessa forma, pensando que está ajudando ao seu aluno na aprendizagem, está dificultando o processo. Sendo assim, a avaliação contínua e cumulativa é exatamente para convencer de que uma nota não deriva de uma eventual prova mensal, bimestral ou semestral. A nota, quando existe, resulta de processo de aprendizagem, em que, a partir de um pacto de convivência entre professor e aluno, define-se a avaliação, satisfatória ou insatisfatória.

Nesse sentido, constatamos que a avaliação envolve o todo que faz parte do cotidiano vivenciado pelo grupo, em que todos são avaliados. Avaliar, nessa perspectiva, significa realizar ações como: organizar, fazer análises mais precisas sobre sua evolução, comparar tarefas, estabelecer relações entre respostas; assim, ela passa a ser uma ação crítica e transformadora, em que o professor acompanha o seu grupo, investigando, observando e refletindo sobre a criança, o grupo, a sua prática pedagógica e a instituição. Na medida em que tudo que avaliamos não é visível a olho nu, isto quer dizer que avaliar vai além de olhar para crianças como seres meramente observados, ou seja, a intenção pedagógica avaliativa dará condições para o professor ou professora criar objetivos e planejar atividades adequadas, dando assim um real ponto de partida para essa observação; torna-se clara a necessidade de construir conhecimentos e reflexão por parte de professores educadores acerca do processo avaliativo formal.

Portanto, a avaliação é um processo que deve ser incorporado à prática do professor, em que todas as experiências, manifestações, vivências, descobertas e conquistas das crianças devem ser valorizadas, com o objetivo de revelar o que a criança já tem e não o que lhe falta.

Referências
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394, de 24 de dezembro de 1996.

ESTEBAN, Maria Teresa. Uma avaliação de outra qualidade. Presença Pedagógica, vol. 2, São Paulo, 1996.

HOFFMANN, Jussara. Avaliação na pré-escola: um olhar sensível e reflexivo sobre a criança. Porto Alegre: Mediação,1996.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. 2ª ed. São Paulo: Cortez, 1995.

______. Verificação ou avaliação: o que pratica a escola? Série Ideias, n. 8, São Paulo: FDE, 1998.

NASCIMENTO, Patrícia Valéria Bielert do. O desafio da avaliação no cotidiano do educador. Revista Profissão Mestre, 2003.

Publicado em 9 de junho de 2016

acessado em 01/06/2017 http://educacaopublica.cederj.edu.br/revista/artigos/a-avaliacao-segundo-a-lei-de-diretrizes-e-bases-da-educacao

segunda-feira, 29 de maio de 2017

ATPC DE 30 DE MAIO/2017

ATPC  - Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo

Tema Central: 
Gestão da sala de aula é desafio real para o professor

Caros professores, neste encontro realizaremos uma "mesa de debates" elencando as fragilidades e potencialidades no cotidiano em sala de aula. Nossos referencias serão os encontros realizados com os alunos no "Conselho de alunos" e as três dimensões da gestão de sala de aula, na visão de Celso Vasconcellos. 

Bom trabalho a todos,
Prof. Coordenador Martins Ramos.  


Sugestões de leitura:

1



                                                 2

Gestão da sala de aula: desafio real e possível

O pedagogo, filósofo e pesquisador Celso Vasconcellos aponta quais os caminhos para melhor gerir a sala de aula.
A gestão da sala de aula é um desafio para o professor. O pedagogo, filósofo e pesquisador Celso Vasconcellos, também doutor em educação pela USP, não só defende a ideia como aponta aspectos fundamentais para que os docentes sejam bem sucedidos durante o processo. “É importante considerar o relacionamento interpessoal, a organização da coletividade e o trabalho com o conhecimento”. Para Vasconcellos, hoje a sala de aula ainda está longe de um modelo humanizado, afirmativa feita com base nos índices de evasão, nos casos de bullying e na própria desmotivação por parte de alguns educadores. Ainda assim, o profissional acredita que é possível obter mudanças principalmente se os professores adotarem uma postura mais reflexiva e autônoma. Confira entrevista do educador ao NET Educação.

NET EDUCAÇÃO - A gestão escolar é comumente associada a cargos de diretoria nas instituições escolares. O professor também é um gestor?
Celso Vasconcellos - Sim, porque entendemos gestão como a capacidade de fazer acontecer em uma determinada direção, e o trabalho do professor tem também este caráter pragmático. A questão é que não basta uma gestão tecnicista, mecânica, que faça do professor um cumpridor de tarefas. Além da questão operacional, é importante a intencionalidade. Para isso, o educador precisa de uma conduta reflexiva e autônoma. É importante que os educadores se questionem nos três vetores básicos de sua atividade: “o que eu quero?”, “onde estou?”, “e o que fazer para diminuir essa distância?”

NET EDUCAÇÃO - Como avalia a gestão escolar e a gestão em sala de aula? São condutas complementares ou totalmente diferentes?
Celso Vasconcellos - De uma maneira geral, ainda há um distanciamento entre as gestões, movido pela falta de diálogo. A questão da coletividade é muito importante nas escolas, até porque, pensando na gestão do professor, ela vai até certo ponto; depois, já depende de decisões que envolvem a direção, colegas, funcionários. Acredito nas reuniões pedagógicas semanais (ex.: Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo-HTPC;  Jornada Especial Integral de Formação-JEIF) com a participação da direção, coordenação e professores como uma excelente ferramenta para promover uma gestão compartilhada, com base em um projeto político pedagógico definido coletivamente. Trata-se de um trabalho sistemático que pode ajudar no desenvolvimento de boas ações dentro das escolas.


NET EDUCAÇÃO – No vídeo da série Gestor Escolar, é citada a importância de o professor desenvolver a autonomia. Em que sentido? E como isso deve ser feito?
Celso Vasconcellos - Embora existam os fatores externos, como os limites das condições de trabalho, a eventual falta de apoio dos pais, as normas da instituição, as diretrizes da própria direção, o professor sempre possui uma Zona de Autonomia Relativa (ZAR) para realizar o que pretende na  escola (e na sociedade). Por essa razão, julgo importante o resgate da autonomia por parte dos docentes. Trata-se do resgate de sua potência e, consequentemente, de sua alegria (como nos ensina Espinosa, na Ética).
A meu ver, a autonomia implica autoria. Geralmente os professores não são autores daquilo que aplicam, são reprodutores de quarto nível, como afirma o educador Pedro Demo; ou seja, os professores estão reproduzindo uma coisa que alguém reproduziu, de alguém que reproduziu de alguém que de fato produziu. Em relação ao conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal, do psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky, por exemplo, ser autor é quando a assimilação do assunto atingiu tal ponto que é possível recontá-lo com suas próprias palavras, aplicá-lo em diferentes situações, porque passa a fazer parte da visão de mundo do sujeito, uma chave de interpretação e intervenção. Quando um aluno pergunta se pode responder a uma questão com “suas próprias palavras”, precisamos estar atentos à denúncia aí presente: quer dizer que ele aprendeu a ser um reprodutor de quinto nível, diante da necessidade de falar a partir do que quer o professor ou do que está no livro didático.

De fato, temos aqui um problema histórico. Já no curso de Pedagogia o professor está acostumado a reproduzir conceitos, em função do ciclo vicioso. Com isso, é pouco provável que esse docente estimule seus alunos enquanto autores, pois ele mesmo não teria capacidade de avaliação de tal produção. Aí eu pergunto: é possível um meio cidadão formar um cidadão inteiro? Aproximando a discussão da questão da autoria: é possível alguém que não construiu autonomamente seu conceito atuar como mediador na apropriação deste conceito? É preciso lembrar que enquanto o professor instrucionista está preocupado em cumprir um programa de conteúdos, o mediador está acompanhando, cuidando do processo de aprendizagem, porque seu foco está na relação que o aluno estabelece com o objeto de conhecimento e com a realidade.

NET EDUCAÇÃO – Você cita ser importante a presença de três eixos em sala de aula: Relacionamento Interpessoal; Organização da Coletividade; e Trabalho com o Conhecimento. Como esses eixos se fazem presentes na atuação do professor? Há uma ordem de importância?
Celso Vasconcellos - Não há uma ordem de importância, pois estamos falando de dimensões de um trabalho. De um modo geral, o Trabalho com o Conhecimento é o mais óbvio, um dos pilares mais clássicos da tarefa escolar, pensando no papel social da escola de democratizar o acesso ao conhecimento. Só que para que o trabalho de construção de conhecimento seja efetivo é preciso dispor de organização, um clima de trabalho favorável, e aqui falamos da organização da sala de aula e da construção da coletividade, da disciplina. Quanto ao Relacionamento Interpessoal, o professor precisa ter a capacidade de se aproximar dos alunos para uma mediação mais fina quando preciso. Por exemplo, casos em que se observa alguma dificuldade em relação à aprendizagem (ou à disciplina). Deixar de trabalhar esta dificuldade é um péssimo negócio, não só para o aluno em questão, mas para o próprio professor e para o coletivo da sala de aula, pois se o aluno não está entendendo, não vai se interessar pela aula, causando problemas de disciplina, influenciando outros alunos que também irão se dispersar, etc. A articulação dessas três frentes possibilita a gestão da sala de aula.

NET EDUCAÇÃO – No caso de identificar defasagem em relação à aprendizagem, como o professor pode contribuir com esse cenário?
Celso Vasconcellos - Antes de tudo é preciso que o professor compreenda o processo de aprendizagem. Tenho realizado algumas pesquisas e observado que, se aplicarmos os mesmos critérios de avaliação direcionados aos alunos para os docentes (exigir 50% de acerto), grande parte deles não seria aprovada. Das seis exigências subjetivas essenciais para que se dê a aprendizagem do sujeito, em média só 20% dos professores apontam três ou mais...Quando entendemos a construção do conhecimento, fica mais fácil pensar em inovação, que nem sempre precisa estar atrelada a uma conotação tecnológica. Se a tecnologia estiver presente, é bem vinda. Mas hoje, face ao desmonte histórico da escola, possibilitar que o aluno assimile o conhecimento e o promova a partir de suas palavras já é uma inovação. O professor precisa valorizar experiências que sustentem esse cenário em sala de aula, por exemplo, momentos de reflexão, trabalhos em grupo. Faz parte do trabalho de gestão administrar a tensão entre a manutenção da escola tal como hoje se configura, e a busca de novos horizontes e direções que apontem a escola que queremos para o futuro.

NET EDUCAÇÃO – Há estratégias possíveis para melhor gerir uma sala de aula?
Celso Vasconcellos - Partindo do mais elementar, acredito em três pontos principais: a amizade, os grupos de estudo e a observação dos alunos. O professor precisa se aliar aos demais, ter a convicção de que não está sozinho no trabalho de educar, e promover constantemente a troca de experiências, a atualização de práticas, o aprofundamento teórico. Em relação aos alunos, acreditar que essa observação diária é muito válida e enriquecedora. O aluno sempre sinaliza o que dá certo e o que não dá em sala de aula. Outro ponto importante é o professor valorizar o processo de construção de conhecimento e colocar em prática pequenas intervenções que tragam mudanças na aprendizagem. Para inovar, por exemplo, sugiro que o professor avalie o programa de conteúdo referente a um bimestre/trimestre e escolha por onde vai começar a modificar a maneira de abordá-lo. Assim é possível transformar o experimental em ‘know- how’ em um futuro próximo, desencadeando um processo de melhoria paulatina da prática pedagógica. A ideia de processo é fundamental: se o professor entender que inovar significa mudar tudo o que vem fazendo, fica desarvorado e acaba resistindo à inovação.

NET EDUCAÇÃO - Como avalia a atual gestão das salas de aula?
Celso Vasconcellos - Estamos muitos distantes de uma sala de aula humana. Claro que não podemos generalizar, pois há projetos e ações bacanas sendo desenvolvidos. Mas quando olhamos para as baixas taxas de aprendizagem e altos índices de evasão, para os casos de bullying, para a desmotivação por parte de alguns docentes, vemos que há graves equívocos quanto à gestão praticada. E aqui é preciso deixar claro que isso não é uma responsabilidade exclusiva do professor. Porém existe uma parte que nos cabe, e aí a importância de nos situarmos, enquanto educadores, na Zona de Autonomia Relativa. Imagine só: se cada um fizer a sua parte (na perspectiva de um projeto emancipador), estamos promovendo a mudança, a criação de uma zona coletiva de transformação.


Retomando aqueles vetores iniciais da atividade docente a que me referi, tenho insistido com os professores quanto à necessidade de não abrirmos mão de um sonho radical (radical é o que vai à raiz) de sociedade e de escola, simultaneamente, não abrirmos mão de uma leitura crítica radical da realidade e, insistimos, simultaneamente, não abrirmos mão do compromisso radical com o passo que podemos dar neste momento na nova direção, valorizando-o face à dura realidade, mas não nos conformando com ele, face o horizonte do sonho de mudança. Aqui, parece-me, há um princípio teórico-metodológico de como fazer a gestão da vida, da profissão e da sala de aula!
                                                                                                            
Acessado em 24 de maio/2017 http://neteducacao.com.br/noticias/home/gestao-em-sala-de-aula-desafio-real-e-possivel

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo.

                                              ATPC    
                   Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo. 
                                             23 de maio 2017


Temas / Assuntos:

- Cronograma 2.º Bimestre: Avaliações, olimpíadas de matemática, digitação de notas, Anexo 3 (educação especial).
- Conselho de Aluno: Analise nos gráficos de rendimento de cada turma e criar estratégias de ações com base nos relatório que foram elaborados pelos estudantes, nos encontros de conselho de aluno.

- Socializar as experiências vivenciadas após o conselho de alunos. 
- Atender alguns pais de Alunos conforme convocação.



Prof. Martins Ramos.



Sugestão de Leitura:

O Professor como Mediador no Processo Ensino Aprendizagem
                                                                                                                          (Elenir Souza Santos)

O mundo está mudando e isso está ocorrendo a uma velocidade sem precedentes na evolução histórica da humanidade. A globalização, o surgimento de novas tecnologias, como o avanço das telecomunicações e da informática, contribuem para que ocorra mudanças, também, na Educação. A interação professor - aluno vem se tornando muito mais dinâmica nos últimos anos.
O professor tem deixado de ser um mero transmissor de conhecimentos para ser mais um orientador, um estimulador de todos os processos que levam os alunos a construírem seus conceitos, valores, atitudes e habilidades que lhes permitam crescer como pessoas, como cidadãos e futuros trabalhadores, desempenhando uma influência verdadeiramente construtiva.
A Educação deve não apenas formar trabalhadores para as exigências do mercado de trabalho, mas cidadãos críticos capazes de transformar um mercado de exploração em um mercado que valorize uma mercadoria cada vez mais importante: o conhecimento. Dentro deste contexto, é imprescindível proporcionar aos educandos uma compreensão racional do mundo que o cerca, levando-os a um posicionamento de vida isento de preconceitos ou superstições e a uma postura mais adequada em relação a sua participação como indivíduo na sociedade em que vive e do ambiente que ocupa.

O desafio de contribuir com a educação do jovem e do cidadão, num momento de mudanças e incertezas e a necessidade de resgatar valores tão importantes condizentes com a sociedade contemporânea leva o professor a entender que deverá exercer um novo papel, de acordo com os princípios de ensino-aprendizagem adotados, como saber lidar com os erros, estimular a aprendizagem, ajudar os alunos a se organizarem, educar através do ensino, entre outros.
O aluno precisa adquirir habilidades como fazer consultas em livros, entender o que lê, tomar notas, fazer síntese, redigir conclusões, interpretar gráficos e dados, realizar experiências e discutir os resultados obtidos e, ainda, usar instrumentos de medida quando necessário, bem como compreender as relações que existem entre os problemas atuais e o desenvolvimento científico. Isso só será possível, a partir do momento que o professor assumir o seu papel de mediador do processo ensino-aprendizagem, favorecendo a postura reflexiva e investigativa. Desta maneira ele irá colaborar para a construção da autonomia de pensamento e de ação, ampliando a possibilidade de participação social e desenvolvimento mental, capacitando os alunos a exercerem o seu papel de cidadão do mundo.

O modo de entender e agir que nos possibilita não nos deixarmos abater pela adversidade e, até mesmo, de utilizá-la para crescer. Uma das causas do fracasso do ensino é que tradicionalmente, a prática mais comum era aquela em que o professor apresentava o conteúdo partindo de definições, exemplos, demonstração de propriedades, seguidos de exercícios de aprendizagem, fixação e aplicação, pressupondo-se que o aluno aprendia pela reprodução. Considerava-se que uma reprodução correta era evidência de que ocorrera a aprendizagem. Essa prática mostrou-se ineficaz, pois a reprodução correta poderia ser apenas uma simples indicação de que o aluno aprendeu a reproduzir, mas não aprendeu o conteúdo. É necessário saber para ensinar. O professor deve se mostrar competente na sua área de atuação, demonstrando domínio na ciência que se propõe a lecionar, pois do contrário, irá apenas "despejar" os conteúdos "decorados" sobre os alunos, sem lhes dar oportunidade de questionamentos e criticidade.

Adequar a metodologia e os recursos audiovisuais de forma que haja a comunicação com os alunos, é também, uma forma de fazer da aula um momento propício à aprendizagem.
É importantíssimo que o professor tenha, também, competência humana, para que possa valorizar e estimular os alunos, a cada momento do processo ensino-aprendizagem. A motivação é imprescindível para o desenvolvimento do indivíduo, pois bons resultados de aprendizagem só serão possíveis à medida que o professor proporcionar um ambiente de trabalho que estimule o aluno a criar, comparar, discutir, rever, perguntar e ampliar idéias.

Dentro das competências: científica, técnica, humana e política desenvolvidas pelo professor, é essencial propiciar aos alunos condições para o desenvolvimento da capacidade de pensar crítica e logicamente, fornecendo-lhes meios para a resolução dos problemas inerentes aos conteúdos trabalhados interligados ao seu cotidiano, fazendo com que ele compreenda que o estudo é mais do que mera memorização de conceitos e termos científicos transmitidos pelo professor ou encontrados em livros.

É um trabalho em que raciocínio e criatividade são recompensados.

É indispensável dar mais ênfase à aprendizagem do que aos programas e provas como é prática comum em nossas escolas, pois no processo de ensino e aprendizagem, conceitos, idéias e métodos devem ser abordados mediante a exploração de problemas, desenvolvendo competências para a interpretação e resolução dos mesmos. E esta resolução não é um exercício em que o aluno aplica, de forma quase mecânica, uma fórmula ou um processo operatório, mas uma orientação para a aprendizagem, pois proporciona o contexto em que se pode aprender conceitos, procedimentos e atitudes. Para que ocorram essas transformações, tão necessárias, é preciso que o professor demonstre profissionalismo, ética e, acima de tudo, compromisso com o sucesso dos alunos. O compromisso de conduzi-los ao aprendizado. É o desafio para todos os que estão envolvidos em Educação.
Elenir Souza Santos

Revista Gestão Universitária, Edição 40

terça-feira, 16 de maio de 2017

ATPC 16 DE MAIO / 2017

Temas/ Assuntos:

- Conselho de Alunos;
-Ações do 2.º Bimestre;
-Cursos em Andamento;
-Cursos com inscrições abertas e previstos.  


No encontro desta terça-feira, 16 de maio 2017. ATPC (Aula de trabalho Pedagógico Coletivo) . Vamos criar estratégias de participação no conselho de alunos que ocorrerá em duas etapas: dias 17 e 19 de maio das 16:00h às 18:20h. 
Os os alunos de cada turma farão  análises dos gráficos com os indicadores do 1.º Bimestre.  Em seguida vão criar metas para o segundo bimestre. 
Além dos alunos de cada turma estarão presentes: representes de alunos de outras turmas e representantes do grêmio Estudantil, professores  do período das turmas, professor coordenador e a vice diretora. 


Sugestão de Leitura:

O Professor como Mediador no Processo Ensino Aprendizagem
                                                                                                                          (Elenir Souza Santos)

O mundo está mudando e isso está ocorrendo a uma velocidade sem precedentes na evolução histórica da humanidade. A globalização, o surgimento de novas tecnologias, como o avanço das telecomunicações e da informática, contribuem para que ocorra mudanças, também, na Educação. A interação professor - aluno vem se tornando muito mais dinâmica nos últimos anos.
O professor tem deixado de ser um mero transmissor de conhecimentos para ser mais um orientador, um estimulador de todos os processos que levam os alunos a construírem seus conceitos, valores, atitudes e habilidades que lhes permitam crescer como pessoas, como cidadãos e futuros trabalhadores, desempenhando uma influência verdadeiramente construtiva.
A Educação deve não apenas formar trabalhadores para as exigências do mercado de trabalho, mas cidadãos críticos capazes de transformar um mercado de exploração em um mercado que valorize uma mercadoria cada vez mais importante: o conhecimento. Dentro deste contexto, é imprescindível proporcionar aos educandos uma compreensão racional do mundo que o cerca, levando-os a um posicionamento de vida isento de preconceitos ou superstições e a uma postura mais adequada em relação a sua participação como indivíduo na sociedade em que vive e do ambiente que ocupa.

O desafio de contribuir com a educação do jovem e do cidadão, num momento de mudanças e incertezas e a necessidade de resgatar valores tão importantes condizentes com a sociedade contemporânea leva o professor a entender que deverá exercer um novo papel, de acordo com os princípios de ensino-aprendizagem adotados, como saber lidar com os erros, estimular a aprendizagem, ajudar os alunos a se organizarem, educar através do ensino, entre outros.
O aluno precisa adquirir habilidades como fazer consultas em livros, entender o que lê, tomar notas, fazer síntese, redigir conclusões, interpretar gráficos e dados, realizar experiências e discutir os resultados obtidos e, ainda, usar instrumentos de medida quando necessário, bem como compreender as relações que existem entre os problemas atuais e o desenvolvimento científico. Isso só será possível, a partir do momento que o professor assumir o seu papel de mediador do processo ensino-aprendizagem, favorecendo a postura reflexiva e investigativa. Desta maneira ele irá colaborar para a construção da autonomia de pensamento e de ação, ampliando a possibilidade de participação social e desenvolvimento mental, capacitando os alunos a exercerem o seu papel de cidadão do mundo.

O modo de entender e agir que nos possibilita não nos deixarmos abater pela adversidade e, até mesmo, de utilizá-la para crescer. Uma das causas do fracasso do ensino é que tradicionalmente, a prática mais comum era aquela em que o professor apresentava o conteúdo partindo de definições, exemplos, demonstração de propriedades, seguidos de exercícios de aprendizagem, fixação e aplicação, pressupondo-se que o aluno aprendia pela reprodução. Considerava-se que uma reprodução correta era evidência de que ocorrera a aprendizagem. Essa prática mostrou-se ineficaz, pois a reprodução correta poderia ser apenas uma simples indicação de que o aluno aprendeu a reproduzir, mas não aprendeu o conteúdo. É necessário saber para ensinar. O professor deve se mostrar competente na sua área de atuação, demonstrando domínio na ciência que se propõe a lecionar, pois do contrário, irá apenas "despejar" os conteúdos "decorados" sobre os alunos, sem lhes dar oportunidade de questionamentos e criticidade.

Adequar a metodologia e os recursos audiovisuais de forma que haja a comunicação com os alunos, é também, uma forma de fazer da aula um momento propício à aprendizagem.
É importantíssimo que o professor tenha, também, competência humana, para que possa valorizar e estimular os alunos, a cada momento do processo ensino-aprendizagem. A motivação é imprescindível para o desenvolvimento do indivíduo, pois bons resultados de aprendizagem só serão possíveis à medida que o professor proporcionar um ambiente de trabalho que estimule o aluno a criar, comparar, discutir, rever, perguntar e ampliar idéias.

Dentro das competências: científica, técnica, humana e política desenvolvidas pelo professor, é essencial propiciar aos alunos condições para o desenvolvimento da capacidade de pensar crítica e logicamente, fornecendo-lhes meios para a resolução dos problemas inerentes aos conteúdos trabalhados interligados ao seu cotidiano, fazendo com que ele compreenda que o estudo é mais do que mera memorização de conceitos e termos científicos transmitidos pelo professor ou encontrados em livros.

É um trabalho em que raciocínio e criatividade são recompensados.

É indispensável dar mais ênfase à aprendizagem do que aos programas e provas como é prática comum em nossas escolas, pois no processo de ensino e aprendizagem, conceitos, idéias e métodos devem ser abordados mediante a exploração de problemas, desenvolvendo competências para a interpretação e resolução dos mesmos. E esta resolução não é um exercício em que o aluno aplica, de forma quase mecânica, uma fórmula ou um processo operatório, mas uma orientação para a aprendizagem, pois proporciona o contexto em que se pode aprender conceitos, procedimentos e atitudes. Para que ocorram essas transformações, tão necessárias, é preciso que o professor demonstre profissionalismo, ética e, acima de tudo, compromisso com o sucesso dos alunos. O compromisso de conduzi-los ao aprendizado. É o desafio para todos os que estão envolvidos em Educação.
Elenir Souza Santos

Revista Gestão Universitária, Edição 40

segunda-feira, 8 de maio de 2017

ATPC Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo

 ATPC  de 9 de maio de 2017- Ensino Fundamental Anos Finais.


Temas:
Análise dos índices apontados no conselho de 02 de Maio,2017:
-Habilidades contempladas e não contempladas por disciplina;
-Habilidades contempladas e não contempladas  por turma;
-Definir estratégias e intervenções para notificar alunos e familiares sobre as defasagens e ações pedagógicas.  
Informes:
-Cursos em andamento; atualização da lista piloto – alunos reclassificados; remanejados e transferidos. 

Prof. Coordenador Martins Ramos.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

ATPC 25 DE ABRIL


                          PROJETO GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO



O Projeto Gestão Democrática da Educação foi instituído, pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em maio de 2016, com o intuito de possibilitar avanços no processo democrático em espaços de decisão e deliberação existentes na escola, como: Grêmio Estudantil, Conselho de Escola e Associação de Pais e Mestres.
A SEE/SP está discutindo a modernização da gestão democrática nas escolas públicas paulistas. A ideia é unir todos os interessados –estudantes, professores/gestores/servidores, pais/responsáveis e sociedade civil –no esforço coletivo de aperfeiçoamento desses espaços de decisão e deliberação da escola.



Gestão democrática Vídeo 01

Gestão Democrática vídeo 02

Gestão democrática vídeo 03


sexta-feira, 21 de abril de 2017

Desafio do Boletim Azul


                                   Desafio do Boletim Azul









Li no portal do “O Globo” uma reportagem sobre o Jogo Baleia Azul. Os relatos e fatos são estarrecedores. Mostra-se a vulnerabilidade de muitas crianças e adolescentes diante deste crime chamado de jogo. O hiato entre pais ou responsáveis das vítimas é um aspecto favorecedor para o “êxito” do jogo. Entenda que não estou sugerindo uma investigação ou cerceamento da liberdade dos filhos, apenas um monitoramento responsável aos parelhos de acesso às redes sociais que eles navegam.  Outro desafio aos pais: O Boletim Azul. Os pais se preocupam com as cores dos boletins escolares?  Qual é a cor   do boletim de seu filho Vermelho ou Azul?     Quando me refiro a cor não entenda notas Azuis, pois sou um educador radicalmente contrário a mensuração por notas 1, 2, 3, 4, .........10. Quando me refiro ao boletim Azul compreendam que assim, o classifico, se contemplar as habilidades necessárias para o desenvolvimento de ações para resolução de situações problemas. Sobretudo, as habilidades e competências leitora e escritora.  E você aluno? Qual é a cor do seu boletim? Uma dica não se preocupe com a NOTA. Preocupe-se em APRENDER, assim seu Boletim será azul. Aceite esse desafio!  

Link de acesso ao portal citado no texto:



Prof.  Martins Ramos


segunda-feira, 17 de abril de 2017

ATPC DE 18 DE ABRIL

ATPC - Aula de Trabalho Pedagógico Coletivo.

Tema Central: Disciplina.
Objetivos:
-Apoiar a gestão de sala de aula
- Favorecer a Formação continuada

Caros professores, no encontro desta terça, 18 de abril retomaremos uma discussão que é recorrente nos corredores, nos cafezinhos, na sala dos professores, nas ATPCs, nos cursos de formação, ou seja, é um tema que precisa ser aprofundado, pois a indisciplina é um aspecto que interfere no andamento das aulas e ambiente escolar, assim diretamente na aprendizagem.     A dinâmica do encontro será em forma de debate, onde todos responderão as questões sugeridas (lista abaixo) e poderão formular questões pertinentes ao tema. Será uma oportunidades, também de trocas de experiencias, pois entendo que a socialização de boas práticas é um caminho para nossa formação continuada. Entendo também que as trocas de experiencias não são "receitas", portanto a ações exitosas devem ser adaptadas às diversas realidades.    

Professor Coordenador Martins ramos. 
                          
                                       Perguntas e Respostas


1-                É possível ensinar disciplina?
2-      A disciplina vem de casa?
3-      Qual o principal erro da escola em relação à disciplina?
4-      É possível ensinar disciplina pelo exemplo?
5-      A disciplina que se aprende na escola serve para a vida toda?
6-      A disciplina ajuda a desenvolver a autonomia?
7-      O que é ser uma pessoa disciplinada?
8-      Todas as obrigações devem ser submetidas a discussão?
9-      As crianças conseguem entender a importância da disciplina?
10-   Como ensinar a disciplina na pré-escola?
11-   Como ensinar a disciplina no Ensino Fundamental?
12-   A disciplina e a ordem podem prejudicar a criatividade? 

Estas questões fazem parte de uma entrevista realizada pela revista ESCOLA ao Professor, escritor, psicólogo Lino De Macedo, portanto a cada resposta em nosso debate recorreremos às respostas do entrevistado.  

"Ao longo da carreira, Lino de Macedo, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, se especializou no construtivismo do suíço Jean Piaget (1896-1980), na psicologia aplicada à educação e nos jogos infantis ele coordena um laboratório de pesquisas e elaboração de atividades relacionadas às brincadeiras e voltadas para a escola. Um assunto que ocupa particularmente sua atenção são os estágios de desenvolvimento da criança e a importância de o professor conhecer o que acontece em cada fase do crescimento.

Com essa vivência, ele encara um dos temas que mais preocupam os educadores: a disciplina. Segundo o psicólogo, disciplina na escola não é questão de boa conduta nem de formação trazida de casa. "Disciplina se aprende e é do interesse de todo mundo, porque facilita a relação da gente com as coisas." O que o professor pode fazer para que a turma se comporte como deve? O exemplo é um dos caminhos. "Fala-se muito que as crianças de hoje não têm limites. Mas nós, adultos, também não temos." Macedo acaba de lançar uma nova coletânea de textos, Ensaios Pedagógicos, que tem como subtítulo a pergunta Como Construir uma Escola para Todos? Um dos capítulos trata especificamente de disciplina, tema discutido na entrevista". 

Acessado em 10/04/17  https://novaescola.org.br/conteudo/863/lino-de-macedo-disciplina-e-um-conteudo-como-qualquer-outro


                                    Perguntas e Respostas


1-    É possível ensinar disciplina?
Lino de Macedo: Sim. Disciplina é uma competência escolar que as crianças aprendem como qualquer conteúdo. Condição para realizar um trabalho com êxito, é uma matéria interdisciplinar, porque dela dependem todas as outras.

2-    A disciplina vem de casa?
Lino de Macedo: Para alguns educadores, sim. Quem considera a disciplina uma coisa que se tem ou não se tem possui uma visão moralizante que transforma uma competência numa questão de valor. Para eles, a disciplina depende da força de vontade do aluno ou da determinação dos pais. Essa visão atribui culpa em caso de indisciplina. De fato, na escola exclusiva, anterior à atual, selecionavam-se os alunos e ficavam de fora aqueles que não se ajustavam ao comportamento desejado. Nesse caso, disciplina era mesmo um pré-requisito para a escola. Hoje, comportadas ou não, todas as crianças têm direito a estudar.

3-    Qual o principal erro da escola em relação à disciplina?
Lino de Macedo: É pensar que existe um único tipo de disciplina e que ela só pode ser imposta. Minha ideia é que disciplina é um trabalho de todos em sala de aula. Constrói-se a melhor forma de acordo com a necessidade. Numa aula tradicional, expositiva, enquanto o professor fala ou escreve no quadro-negro, os alunos devem ficar quietos, prestar atenção e copiar. Acontece que hoje temos muitas propostas pedagógicas. Cada cultura escolar e cada atividade em sala de aula têm uma disciplina adequada a seu desenvolvimento. Dependendo da situação, a melhor pode ser o silêncio, as crianças perguntando ou conversando entre si.

  
4-    É possível ensinar disciplina pelo exemplo?
Lino de Macedo: Sim. Um erro comum é achar que a falta de disciplina é sempre do outro. Fala-se muito que as crianças de hoje não têm limites. É verdade. Mas nós, adultos, também não temos. Em uma sociedade como a nossa, um dia se almoça de manhã, outro dia de tarde, outro dia enquanto se fala ao celular. Nós é que não temos rotinas para organizar a vida das crianças. Entendemos os motivos da nossa "indisciplina" porque sabemos que para muitas pessoas a regularidade se tornou impossível. Mas, se nós não somos disciplinados, por que esperamos um comportamento regular das crianças, como se fosse uma coisa natural, espontânea, quase herdada? Podemos conquistar o aluno para um projeto de disciplina conseguindo a admiração dele. Em sua origem, a palavra disciplina tem a ver com discípulo. Discípulo é uma pessoa que tem alguém como modelo e se entrega pelo valor que atribui a essa pessoa. Com o tempo, perdeu-se o elemento de referência que havia antigamente. Isso tem de ser novamente conquistado, pouco a pouco, pelos dois lados.

5-    A disciplina que se aprende na escola serve para a vida toda?
Lino de Macedo: A gente tem de pensar a disciplina ao mesmo tempo como fim e como meio. É um fim porque podemos desenvolver atitudes como concentração, responsabilidade, interesse. Essas coisas viram ferramentas pessoais e de trabalho. Disciplina é também um meio, um instrumento sem o qual as coisas não acontecem ou acontecem fora do prazo ou dos padrões.

  
6-    A disciplina ajuda a desenvolver a autonomia?
Lino de Macedo: Disciplina é, cada vez mais, autodisciplina. Um exemplo é a lição de casa. Hoje em dia a maioria das famílias não tem um adulto com tempo disponível para fiscalizar o dever. A própria criança aprende a administrar essa tarefa e, se necessário, ela pede socorro. A autonomia é uma conquista, um aprendizado complexo e longo pelo qual as crianças desenvolvem a disciplina para dar conta de suas tarefas.

7-    O que é ser uma pessoa disciplinada?
Lino de Macedo: Ser disciplinado significa ter um comportamento subordinado a regras. Mas o que é regra? Algo que se constrói por consentimento. É como em um jogo. As regras são arbitrárias, mas a criança aceita porque gosta de jogar. Sem regra, não há jogo. Para definir regras, usamos o recurso da democracia. A classe toda discute, sob a condição de que todos aceitem o que a maioria decidir. O problema é que a minoria pode se recusar a cumprir. Deve-se combinar previamente que a não observação das regras implicará punições ou perdas. Um dos motivos que nos levam a aderir à disciplina são as consequências de não nos entregarmos a ela. Convencer é diferente de impor.

8-    Todas as obrigações devem ser submetidas a discussão?
Lino de Macedo: Não. Por exemplo: muitos pais perguntam aos filhos se eles querem comer. Eu não acho que seja uma boa pergunta. Porque, se o filho disser que não quer comer, como fica? A melhor pergunta é o que ele quer comer, dando opções. Dar autonomia não significa abrir mão do seu papel de líder e de responsável por certas coisas. Se você submeter tudo à opinião da maioria das crianças, a curto prazo elas vão decidir pelo pior. Primeiro, tenta-se convencer. O último recurso é impor. É errado tentar tratar como homogêneo algo desigual como a relação adulto e criança ou a relação professor e aluno.

9-    As crianças conseguem entender a importância da disciplina?
Lino de Macedo: Em 1930 Piaget escreveu um livro importante, O Julgamento Moral da Criança, e mostrou que mesmo as bem pequenas já têm valores como o gosto pelas regras, pela disciplina, pelo fazer bem-feito e por se entregar a uma tarefa coletiva. Só que o adulto não percebe. Piaget provou que é possível ver isso usando o exemplo das brincadeiras. A própria garotada se autorregula e se submete a regras coletivas. Piaget analisou como o respeito entre iguais promove o desenvolvimento da criança. Muitos pais e professores sabem compartilhar com ela a necessidade de uma regra de forma que a criança até reclama, mas aceita, entendendo que é o melhor.

    10-                      Como ensinar a disciplina na pré-escola?
Lino de Macedo: Para alunos da Educação Infantil, digamos de 2 a 6 anos, a brincadeira, a fantasia, as histórias são ótimas estratégias. A argumentação científica não funciona com os pequenos. O recurso lúdico soa sincero para a criança, porque é uma espécie de dramatização do assunto, uma elaboração simbólica da questão. Nessa idade, outro recurso possível é simplesmente, com habilidade, dar uma ordem e pedir que ela seja cumprida. Nesse caso, é preciso deixar claro para a criança que há uma diferença entre ela e o adulto. Ela sabe disso e até se sente aliviada.



   11-                      Como ensinar a disciplina no Ensino Fundamental?
Lino de Macedo: A idade dos 7 aos 11 anos é interessante para trabalhar disciplina como uma boa regra ou uma regra sem a qual certas coisas não se desenvolvem bem. O convencimento se dá de forma empírica, com exemplos, discussão, não mais como faz-de-conta. Uma coisa é o imaginário, outra é a própria negociação da regra. O problema do convencimento no seu sentido adulto é que ele supõe um pensamento hipotético-dedutivo ("se você não fizer isso, acontece aquilo"). Mas crianças com menos de 12 anos não entendem esse pensamento. É preciso trabalhar com elas a própria construção das regras mais adequadas para uma determinada tarefa que se espera que realizem.

    12-                      A disciplina e a ordem podem prejudicar a criatividade?
Lino de Macedo: Rigidez é uma coisa, rigor é outra. Os artistas, que trabalham com criação, costumam ser super-rigorosos. Já rigidez é acreditar que uma coisa só pode ser feita de um jeito, definido arbitrariamente. A disciplina está do lado da criação, mas não é uma só. Alguns trabalham de dia, outros à noite; alguns de um modo, outros de outro. A maior parte dos artistas tem de cumprir prazos, se impõe tarefas. Se não houver disciplina, você para no meio, esquece. Acontece que muitas vezes nós, adultos, usamos o discurso do rigor para defender nossa rigidez ou nossa incapacidade de lidar com as situações.




Dica: digite INDISCIPLINA no campo de BUSCA do Blog e(re) visite  a postagem com textos trabalhados em  29 de março de 2016.

Boa leitura!
Professor Coordenador Martins Ramos.